Chicago com trilha sonora: Um passeio pelas atrações da cidade ao som da House music

Chicago com trilha sonora: 9 atrações ao som da House music Chicago com trilha sonora: 9 atrações ao som da House music
Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)

Chicago é uma cidade incríel, mas al lado de sua arquitetura, suas famosas pizzas e seus grandes times times esportivos. A “Cidade dos Ventos” também é o berço de um dos movimentos musicais mais influentes do século XX: a House music.

Se você está plajejando sua viagem a cidade, vale a pena entender por que cada esquina dessa metrópole pulsa com uma energia sonora diferente — e como isso pode transformar a sua viagem.

O som que nasceu na cidade

Era o começo dos anos 1980 e Chicago vivia uma contradição. Por um lado, a crise econômica e o conservadorismo da era Reagan pesavam sobre diversas comunidades da cidade.

Por outro, nesses mesmos grupos, nascia algo que o mundo inteiro acabaria adotando.

O epicentro foi um clube no South Side chamado The Warehouse. Lá, um DJ nova-iorquino chamado Frankie Knuckles — hoje conhecido como o “Padrinho da House Music” — reinventava noites inteiras misturando disco, funk e soul com batidas de drum machines como a Roland TR-909. E o som que saía daquele lugar era diferente de tudo que havia antes.

The Warehouse
The Warehouse (Foto: Divulgação)

As pessoas saíam do Warehouse e iam às lojas de disco pedir “aquelas músicas da house” — abreviação de Warehouse. O nome ficou. O gênero também.

Enquanto Knuckles dominava o Power Plant (seu clube seguinte), Ron Hardy lotava o Music Box com sets mais radicais e experimentais. Foi nas mãos de Hardy que uma geração inteira de produtores chicagoenses estreou suas criações: Marshall Jefferson, autor do primeiro “house anthem” com piano da história; Larry Heard (Mr. Fingers), que inventou o deep house com faixas carregadas de alma jazz e gospel; o coletivo Phuture, que criou o acid house usando uma Roland TB-303; Steve “Silk” HurleyFarley “Jackmaster” FunkAdonis e tantos outros.

Em meados dos anos 1980, esse som underground de Chicago cruzou o Atlântico e tomou Londres, Manchester e Ibiza. Em 1986, já dominava pistas no mundo inteiro. Era o começo de tudo o que hoje chamamos de música eletrônica de pista.

Frankie Knuckles
Frankie Knuckles (Foto: Divulgação)

Visitar Chicago, portanto, é também uma peregrinação musical. E por isso, cada atração desta lista vem com uma faixa original da “House de Chicago” para te acompanhar.

Bora conhecer nove lugares que você precisa por no planejamento de sua viagem a Chicago? Aliás, todas as experiências abaixo foram feitas pe;a nossa equipe na cidade, bora curtir?

1. Navegar pelo Chicago River

Trilha:  Frankie Knuckles – Your Love (1987)

Deslizar pelo Chicago River entre arranha-céus art déco é uma experiência de outro nível. Os passeios guiados do Chicago Architecture Center revelam a história por trás de cada fachada, de um ângulo impossível de ter caminhando pelas calçadas.

Reserve com antecedência, especialmente no verão. O tour dura em média 90 minutos em média.

Na orelha, coloque “Your Love” — uma das faixas mais belas já gravadas em House. A linha de sintetizador ondulante de Knuckles e a voz de Jamie Principle têm exatamente o mesmo efeito que o rio: te carregam sem que você perceba.

Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)
Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)

2. Sentir a adrenalina no Skydeck

Trilha: Marshall Jefferson – Move Your Body (1986)

103º andar da Willis Tower e as caixas de vidro suspensas a mais de 400 metros de altura não são para os de coração fraco. “The Ledge” te coloca literalmente no ar, com o skyline inteiro embaixo dos pés.

A dica é compre os ingressos online e ir no fim da tarde para pegar o pôr do sol e as luzes se acendendo

A trilha perfeita é “Move Your Body”, de Marshall Jefferson, o primeiro hino de House com piano da história. Uma música que desde a primeira nota já sobe a pressão. Assim como o elevador até o 103º.

Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)
Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)

3. Comer uma autêntica Deep Dish Pizza

Trilha: Mr. Fingers / Larry Heard – Can You Feel It?

A Deep Dish não é pizza, é uma declaração de princípios. Camadas sobre camadas — massa grossa, queijo no fundo, recheio, molho por cima. Exige tempo, exige paciência, exige presença total.

Os clássicos: Giordano’sLou Malnati’s e a Pizzeria Uno, onde a receita teria sido inventada.

Larry Heard, tocando como Mr. Fingers, construía músicas da mesma forma: camada a camada, grave e profundo, como se o som nascesse de dentro da terra. “Can You Feel It?” é Deep House no sentido mais literal da expressão.

Perfeita para esperar a pizza sair do forno.

Skydeck Chicago: História e fotos incríveis a 412 metros de altura
Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)

4. Passear pela Magnificent Mile

Trilha: Steve “Silk” Hurley – Jack Your Body (1986)

Michigan Avenue tem o glamour que o nome promete. Arquitetura histórica, grandes marcas (destaque para a loja da Nike com coleções exclusivas, e a Ralph Lauren, que fica num casarão com vários andares) e o ritmo constante de uma cidade que nunca para.

“Jack Your Body”, de Steve “Silk” Hurley, tem esse mesmo ritmo: elegante, preciso, inevitável. Foi o primeiro single de House music a chegar ao número 1 no Reino Unido, em 1987. É dar play e aproveitar a caminhada!

Magnificent Mile
Magnificent Mile (Foto: MIPYMAG)

5. Passear e curtir o Navy Pier

Trilha: Cajmere – Percolator (1992)

Navy Pier às margens do Lago Michigan é exatamente o que parece: grande, barulhento, efervescente. A Centennial Wheel, os restaurantes, o skyline ao fundo, tudo em movimento constante.

Cajmere (Curtis Jones) é um dos nomes fundamentais da segunda geração do House de Chicago. “Percolator” foi um hino de clube nos anos 1990 e ainda é tocada hoje em dia. Ferve.

Como o pier num sábado de verão.

Navy Pier
Navy Pier – Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)

6. Ficar cara a cara com a “Sue” no Field Museu

Trilha: Phuture – Acid Tracks (1987)

O maior e mais completo esqueleto de Tiranossauro Rex do mundo está no Field Museum. “Sue” tem 12 metros de comprimento e 67 milhões de anos. Estar na mesma sala é uma sensação difícil de descrever.

“Acid Tracks”, do coletivo Phuture, foi a primeira gravação de acid house da história, produzida e mixada por Marshall Jefferson no Music Box de Ron Hardy.

Um som que veio do subsolo, visceral e primitivo. Apropriado para quem vai encontrar um T-Rex.

7. Explorar o Art Institute of Chicago

Trilha: Fingers Inc. / Robert Owens – Bring Down the Walls (1987)

Art Institute está entre os maiores museus de arte do mundo. Monet, Van Gogh, Picasso, Edward Hopper, Grant Wood — tudo numa mesma visita. É o tipo de lugar que pede uma trilha à altura.

“Bring Down the Walls”, de Fingers Inc. (Larry Heard e Robert Owens), tem algo de gospel, algo de jazz, algo que vai direto para o peito. Owens cantou essa faixa num quarto, sem isolamento acústico, com o interfone tocando no meio da gravação.

A imperfeição ficou. E a música ficou ainda melhor.

8. Assistir a um jogo esportivo

Trilha: Farley “Jackmaster” Funk – Jack’n the House (1985)

Chicago respira esporte. Os Bulls (NBA), os Bears (NFL), os Cubs (MLB) e os Blackhawks (NHL) têm torcidas que vibram de um jeito difícil de explicar para quem não esteve lá.

Lembrando que o Chicago Bulls é a “casa” do maior jogador de basquete de todos os tempos, MIchael Jordan. Verifique o calendário de cada time para a época da sua visita — a temporada determina qual jogo você pode assistir ao vivo.

Farley “Jackmaster” Funk foi um dos primeiros DJs a levar o house para o rádio, no lendário programa Hot Mix 5 da WBMX. “Jack’n the House” tem a energia coletiva de quem está num mesmo lugar com o mesmo objetivo. Como uma arquibancada cheia.

Estátua de Michael Jordan no United Center
Estátua de Michael Jordan no United Center (Foto: Divulgação)

9. Tirar uma foto no “The Bean”

Trilha: Frankie Knuckles – The Whistle Song

“The Bean”, o nome oficial é Cloud Gate, é a escultura mais fotografada de Chicago. O reflexo distorcido do skyline na superfície espelhada é a imagem que define a cidade para quem passa por aqui.

Não tem como passear por Chicago e não ir até lá tirar uma foto né.

E na nossa jornada musica, Frankie Knuckles termina o roteiro como começou. “The Whistle Song” é uma das faixas mais icônicas de toda a sua discografia: simples, elegante, inesquecível.

Assim como a escultura. Assim como a cidade.

The Bean
Maria Elisa (Foto: MIPYMAG)

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